Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

O treze de maio

1888, ano que nasceu meu avô materno Adriano Inácio Fernandes – 5 de novembro de 1888, só para ilustrar. Quero mesmo é lembrar a data de 13 de maio de 1888, data que aprendi a respeitar e nunca mais esqueci desde que ouvi – num dia 13 de maio – a professora Melita, minha primeira professora, falar sobre a escravidão no Brasil. 

Durante a narrativa da professora lembro que eu olhava para dois colegas negros cujos nomes não esqueci: o Pedrinho e Telmo Caetano. O nome dos verdadeiros amigos nunca esquecemos. Ainda bem que eles nasceram após aqueles tempos de escuridão da alma humana.

Embora eu tenha muitos amigos negros, são Pedrinho e Telmo e também o texto do professor Mário Maestri que me fazem lembrar a data do Dia 13 de Maio.

A escravidão vai voltar?

A jovem me parou na Livraria da Ladeira: Tu és o professor Mário Maestri? Era magra miúda, cabelo afro, uns 15 anos. Ao ouvir o meu sim ela completou: É verdade que a escravidão vai volta? Eu não sorri. A menina estava preocupada. Teriam troçado com ela na escola ou no trabalho.

Não querida. Não tem perigo. Ainda mais hoje, o patrão lança fora o trabalhador quando não tem mais uso. Na escravidão, não podia. Deveria comprá-lo para pô-lo ao trabalho. Deveria sustentá-lo quando doente ou quando havia pouco para fazer!

A menina partiu, talvez mais assustada ainda, e eu segui pensando no imenso desconhecimento sobre escravidão Colonial no Brasil, que por mais de 3 séculos entranhou suas raízes na exploração de trabalho feitorizado”. 

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