Marina Lima Leal
DE REPENTE, O RIO GRANDE VERMELHOU…
De um dia para o outro, o Rio Grande do Sul saiu da bandeira preta e adotou a bandeira vermelha para todo estado, mesmo com o número de mortes ainda muito elevado e longe de atingir a cobertura vacinal necessária à proteção comunitária.
Após a Justiça manter suspensão de aulas presenciais, sob a cor preta, o Piratini publicou ontem, Decreto, que permite a retomada. A bandeira preta virou vermelha, sem consulta ao Comitê Científico, que ao longo de um ano, colaborou com o governo.
Surpreendido pela derrota judicial da noite de segunda-feira e sem a expectativa de uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal restou ao Piratini elaborar novo Decreto, que coloca o Rio Grande do Sul em bandeira vermelha e termina com o processo de coogestão, ou seja, os municípios não poderão contrariar o Decreto Estadual.
Na bandeira vermelha as aulas presenciais ficam liberadas para todas as séries, da Educação Infantil aos cursos de pós-graduação.
O Comitê de Crise de volta às aulas, em nota, declarou: “trata-se de mais uma escancarada manobra para burlar a decisão judicial, que determinou a suspensão das aulas presenciais durante a bandeira preta.”
A Associação de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS), através de seu presidente Maneco Hassen, reforçou que os representantes convidados para a reunião, foram pegos de surpresa com a decisão de Leite. Salientou que a construção de novo modelo precisa contar com a participação efetiva dos municípios. Hassen ainda afirmou que existe uma preocupação de que a mudança repentina seja vista pelo Judiciário e pela população como “mais uma manobra para fugir da decisão judicial”.
As Entidades do Comitê de Crise Volta às Aulas RS divulgaram uma nota conjunta afirmando terem recebido com “perplexidade e indignação” as mudanças anunciadas pelo governo, colocando todo o estado “em artificial e ilegítima bandeira vermelha”.
Afirmaram que aguardam a publicação do Decreto, para ingressar com imediatas medidas judiciais para barrar a retomada das aulas.
O governo Leite, parece estar obcecado pelo retorno às aulas presenciais, mesmo com todas as condições adversas.