Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista
O canto da seriema e a sirene da ambulância
Seriema ou siriema é uma ave de porte médio e pernas longas, que pesa aproximadamente 1 quilo e meio. Ave típica do serrado, vive nos campos e restingas, canta ao amanhecer anunciando a chegada de um novo dia. Também diz a lenda que quando alguém ouve a seriema cantar é chuva na certa. Seriema cantando está chamando chuva.
Hoje revirei o baú da memória buscando inspiração para fugir do assunto que se tornou rotina do último ano: as mortes provocadas pela Covid-19. Entre tantas que se manifestaram, encontrei uma agradável lembrança – para esquecer o que não é bom, o que vem da natureza faz bem.
Lembrei do canto da seriema – quando cantam em dueto nem se fala! É, elas cantam em dueto! Mas vamos ao fato que minha memória guardou. Eu estava indo num ônibus com o CTG Brazão do Rio Grande para o rodeio de Vacaria. Era uma madrugada do mês de janeiro, o ano não lembro, até porque é o que menos importa. Estava amanhecendo, o sol nem havia raiado, um estouro, o pneu furou. Para encurtar a história o motorista necessitou de um borracheiro que ficava longe dali o que ocasionou longa espera.
Para compensar a espera o chimarrão foi a solução, mas como eu estava atento à paisagem avistei um bando de aves que, sem receio, vieram se chegando para próximo da estrada. Eram umas 10 seriemas que logo iniciaram uma cantoria nos alegrando durante a espera.
Quando lembrei das seriemas que vieram mostrar quanto é bela a natureza, pensei como seria bom se pudesse estar lá nos campos da serra, entre Flores da Cunha e Vila Ipê, em meio à natureza e o canto das seriemas a estar aqui, em meio à pandemia, ouvindo a sirene das ambulâncias.