Apesar dos números elevados de mortes de novos casos de Covid-19 e grande parte dos hospitais do estado estarem operando acima de 100% de ocupação, o Rio Grande do Sul retomará o modelo de congestão no Distanciamento Controlado, onde os prefeitos podem adotar medidas menos restritivas que as estaduais, e que permitem que os serviços não essenciais voltem a funcionar. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Legislativa, Gabriel Souza, após reunião com o governador Eduardo Leite e membros do Comitê Científico, na última desta terça-feira, 16.

De acordo com o presidente da Assembleia, a volta da cogestão se dará mediante a reformulação dos protocolos do modelo de Distanciamento Controlado. A tendência é de que a bandeira vermelha seja mais restritiva, de maneira a brecar flexibilizações exageradas. Além disso, o Executivo, segundo o deputado, se comprometeu a criar linhas de crédito com juros subsidiados através do BRDE, Badesul e Banrisul para auxiliar os empresários. Na sexta-feira, o governador vai se reunir com os prefeitos, por meio da Famurs, para alinhar os próximos passos para a reabertura do comércio.   Um novo decreto deve ser publicado nos próximos dias.

Como irá ocorrer o retorno

O comércio não essencial, como lojas de departamentos e salões de beleza, só poderão funcionar de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h, com permissão de ingresso de clientes até 19h.

Bares e restaurantes, por outro lado, poderão funcionar todos os dias da semana, até 17h, com ingresso de clientes até 16h. Hotéis e pousadas deverão respeitar o critério de lotação máxima de 50%. As aulas presenciais nas escolas públicas e particulares, incluindo educação infantil, continuam vetadas por decisão judicial.

O governo confirma que vai manter o fechamento de atividades das 20h às 5h até 30 de março. A novidade é que essa regra vai vigorar por mais tempo, mas nos finais de semana (sexta, sábado e domingo), durante todo o mês de abril.

Empresários canoenses avaliam reabertura como positivo

Após permanecer quase três semanas fechados, os lojistas aguardam com expectativa a publicação do novo decreto que vai permitir a retomada de serviços não essenciais no estado.

Dona de uma loja de roupas, Patricia Souza, ficou otimista com a informação do Pirratini. “Se eu não trabalhar, não ganho nada. Já estamos sofrendo com o aumento dos preços, está tudo inflacionado, e não poder trabalhar piora tudo. Sem dinheiro não posso alimentar minha família, isso que o governador tem que entender”, finaliza a empresária.

José Antônio, empresário do ramo de beleza, salientou que a volta das atividades essenciais é necessário para a economia, mas não se pode deixar de lado a situação precária da saúde. “ A saúde está colapsada, infelizmente, mas nós precisamos trabalhar. No meu estabelecimento, cuido tudo que posso, me protegendo e protegendo os meus funcionários e clientes. Esse vírus é perigoso demais,  e nós empresários temos que fazer nossa parte, respeitando todos os protocolos estabelecidos, para assim continuarmos trabalhando e frear essas mortes e casos”.

RS teve recorde de mortes nesta semana

Na terça-feira, 16, o Rio Grande do Sul bateu recorde de mortes por Covid-19 com 502 óbitos em 24 horas. A média móvel está em  120% nas últimas duas semanas, passando de 115 por dia no dia 3 de março para 253 pelo balanço desta quarta-feira,17. O Estado já contabilizou 15.606 óbitos.

As UTIs continuam com superlotação. Nesta quarta-feira, a rede SUS registra 100% de ocupação, enquanto a rede privada alcança 133% dos leitos de terapia intensiva. Os casos confirmados de Covid-19 chegam a 72% das 3.494 internações em UTIs no estado.

Canoas com 111,48% de ocupação nas UTIS

O município de Canoas, segundo o último Boletim Covid-19, publicado pela prefeitura, tem 136 pacientes ocupando os leitos de UTI Covid-19 na cidade, o que soma 111,48%.  Já na enfermeira, dos 267 leitos disponíveis, somente 10 estão livres, os outros 259 estão ocupados. A cidade registrou 43 mortes nesta semana.

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