Lúcia Amorim
É para tanto?
É, sim. É pra se descabelar. É pra ficarmos “p da vida”. É pra se chorar, é pra se desesperar.
O que está acontecendo com o mundo é assustador. As proporções da covid extrapolaram nossas expectativas. Fizemos tudo errado e estamos em colapso.
Nossos governantes morrerão com seus descasos nas costas. Talvez nunca se sintam culpados. Isso é para gente de verdade, que tem empatia. Mas que vão levar consigo, pra além daqui, se é que existe, isso, vão!
Tirando dos governantes, que são um retrato do que o povo é (já que somos nós quem os elegemos – ou a maioria, ao menos ) as pessoas também não ficam atrás com suas responsabilidades. Quantas pessoas morreram ou transmitiram a outras tantas esta doença que está disseminando nossa população?
Quantas debocharam e debocham da tal “gripezinha”, mesmo sabendo que existem milhões de pessoas neste momento em hospitais lotados, morrendo sozinhas; outras centenas chorando por familiares internados, sem conseguir respirar, em portas de hospitais sucateados; que cemitérios estão lotados, com seres humanos sendo enterrados sem seus familiares poderem dar o seu adeus…
Como se consegue rir ou desdenhar de uma tragédia desta dimensão? Como se consegue fingir que não tem, também, responsabilidade nisso, seja seguindo as regras, seja ajudando alguém a entender melhor a situação, seja apenas usando uma máscara na rua?
Esta pandemia veio para escancarar de vez que tipo de bicho somos: mesquinhos, egoístas e cruéis.
Sim, é pra tanto, infelizmente.