O Governo do Estado anunciou na última terça-feira, 1°, um novo cronograma para a retomada das aulas presenciais no Rio Grande do Sul. A ideia apresentada pelo executivo gaúcho é retomar os encontros presencias ainda neste mês, de forma escalonada, concluindo o processo em novembro. As etapas começariam pela Educação Infantil em 8 de setembro, passando pelo Ensino Médio e Ensino Superior, em 21 de setembro, e o Ensino Fundamental, entre 28 de outubro (anos finais) e 12 de novembro (anos iniciais). A decisão, em qualquer das datas propostas, caberá aos municípios.

Decisão junto à comunidade escolar

Em reunião com professores e diretores, nesta quinta-feira, 3, o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, descartou a possibilidade de retomar as aulas nas escolas da rede municipal no mês de setembro. O prefeito afirmou que “não é ainda o momento de tomarmos uma decisão drástica, não temos a segurança o suficiente de que teremos a proteção da saúde e da vida das nossas crianças e das nossas famílias”.

A prefeitura vai monitorar os índices de contágio do coronavírus na cidade durante o mês e aí irá chamar os pais, alunos e professores para tomar a decisão sobre a retomada das atividades.

“Sem vacina e testagem, meus filhos não retornam a escola”

Mãe de dois alunos da EMEF Municipal Sete de Setembro, Maria Helena, garante que seus filhos só voltarão para a escola depois que forem vacinados. “Eu não consigo manter o distanciamento social dentro da minha própria família, imagina a professora dentro da sala de aula, lidando com crianças, que não tem noção do perigo do coronavírus”.

A dona de casa diz que no grupo do Whatshap das turmas do seus filhos, a opinião sobre o retorno das aulas presenciais é unânime: Todos os pais não mandaram as crianças para a escola. Outra questão abordada pela Maria foi sobre os professores. “Sabemos que os educadores também têm família e estarão em risco. Além dos que são de idade de risco. Acho super perigoso”.

“A imensa maioria dos responsáveis pelos nossos alunos se mostra muito preocupada em relação a uma possibilidade de retorno agora. Nos questionam frequentemente a respeito da obrigatoriedade desse retorno e afirmam que seus filhos não retornarão à escola enquanto não houver vacina. Resumidamente, a comunidade é contrária ao retorno às aulas em 2020”, expressou a diretora da EMEF Engenheiro Ildo Meneghetti, Ednéia Petry,.

Nota do Sinprocan

O Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) também já havia se posicionado através de uma nota enviada para a nossa reportagem sobre o possível retorno às aulas.

“O posicionamento do Governador demonstra claramente sua subordinação a determinados setores econômicos e seu absoluto desprezo com a vida humana. Só essa premissa é capaz de explicar um cronograma descolado de protocolos de segurança sanitária e de análise minuciosa do avanço da COVID-19 em nosso Estado. A definição da prioridade de retorno dada à Educação Infantil é outra demonstração nítida de que a vida está sendo preterida em favorecimento aos interesses econômicos. Consideramos desrespeitoso e irresponsável assumir a retomada das atividades presenciais nas escolas frente a evidente expansão da COVID-19 em nosso Estado, visto que o isolamento social é um dos principais elementos de contenção da pandemia. Entendemos que o atendimento presencial só poderá ser retomado se garantida à segurança sanitária para toda a comunidade escolar”.

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