Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Livros… Ah os livros!

Pois é, os livros estão por aí, nas estantes das livrarias, das bibliotecas públicas, de entidades e particulares, prontos para serem devorados pelos não muitos leitores, pelos estudantes, a maioria leitores por obrigação. Mas os livros estão aguardando uma mão amiga que os tire da estante para um passeio, para um banho de sol nesses dias frios e assim perder o mofo e as teias de aranha. Se os leitores já são poucos, agora as notícias nos dão conta que o Ministério da Economia quer aumentar a tacha de impostos sobre os livros – aguardemos para ver o que vai acontecer. Com essa, vou plagiar o comentarista político Humberto Dantas da Rede Vida de televisão, que encerra seus comentários com a seguinte frase: “avança democracia, avança!”

Dois motivos, apesar de ter muitos para falar de livros: a coordenadoria da 12ª Região Tradicionalista vai organizar sua biblioteca e a amiga Márcia Monteiro está solicitando doação de livros com temas da literatura gaúcha. O outro que me motivou falar de livros foi uma postagem do CTG Brazão do Rio Grande, ilustrada com estantes de livros e um poema do compositor e poeta Sílvio Genro.

CEMITÉRIO DE LIVROS

Amontoados nas estantes,
sem o fascínio de antes,
cercados de solidão…

Os velhos livros, silentes,
esperam pacientemente
por quem lhes dê atenção….

Em meio a teias de aranha,
só o abandono acompanha
os livros que ninguém mais lê.

Destino que se parece
quando a vida nos esquece
e o mundo já não nos vê….

Como é triste esse mistério
que envolve os cemitérios
de livros abandonados!

Com suas páginas fechadas
e palavras desbotadas
pelo mofo do passado.

Um livro quando é esquecido
vai perdendo seu sentido
longe do olhar das pessoas…

Livro fechado e não lido,
é igual pássaro ferido
que tem asas, mas não voa….

Que importa a idade de um livro
se ele sempre mantém vivo
seus personagens e autores,
e apesar de relegados,
os livros cumprem seu fado
mais fiéis que seus leitores.

Podemos ser comparados
aos livros abandonados
do mundo que nos rodeia…

Livro esquecido e sozinho,
já não recebe carinhos
das mãos de quem lhes folheia….

Escondidos pela poeira,
num fundo de prateleira
de uma biblioteca escura…

Os livros guardam consigo
meus mesmos sonhos antigos
que já ninguém mais procura…

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