
Por Bruno Lara
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Canoas reforçou esta terça-feira, 20, o alerta à população para o risco de queda na troca de telhas e no conserto de avarias das casas atingidas pelos temporais. Segundo o órgão, “já foram atendidas 126 pessoas no Hospital de Pronto Socorro de Canoas, estando 32 delas internadas com fraturas e lesões, e quatro na UTI, em estado gravíssimo”.
Desabrigados

Os números assustam. Dentre as famílias atingidas no início da semana passada, a contagem era de 80 na Prainha do Paquetá, 40 no Beco do Berto Círio, 30 na Rua da Barca, 15 no Dique do Gravataí, 10 na Rua Sebastião Barreto e 12 no Dique do Canil. Um total de 187 desabrigado.
Ao final, o nível do Guaíba, que atingiu pela primeira vez desde 1967 a marca de 2,79m, atingindo também 57 cidades, inclusive a capital Porto Alegre. Aproximadamente 50 mil pessoas precisaram deixar suas residências no estado. Ao todo, calcula-se que 5.775 foram desalojados e 4.164 desabrigados em locais públicos em todo o estado.
Boato dos diques
Boatos rodaram a cidade no início desta semana de que os diques estariam prestes a romper. A equipe do Escritório de Engenharia e Arquitetura (EEA) da Prefeitura tomou a iniciativa de informar que estes possuem entre 6,5 e 7 metros de altura. O do Niterói tem extensão de 5.320 metros e o do Rio Branco, 7.780 m. Estes, incluindo o Mathias Velho (7.100 m) e Araçá (7.200 m), têm uma extensão de 27,4 mil metros. Os mesmos, segundo o órgão, não estão rompendo e nem devem. “A Prefeitura informa, ainda, que há equipes da Defesa Civil estão visitando casas, somente para o auxílio humanitário, com distribuição de lonas, telhas, alimentos e roupas”. A Prefeitura informou que distribuiu “29 mil telhas e 231 mil metros quadrados de lonas”.
Quatro Unidades Básicas de Saúde foram atingidas pelo temporal e tiveram de ser fechadas na quinta-feira, 15: Boa Saúde, Central Park, Pedro Luís da Silveira e José Veríssimo.
AES Sul

Os moradores de Canoas deram trabalho as autoridades para cobrar o retorno do fornecimento de energia elétrica em algumas localidades. No bairro Nossa Senhora das Graças, dezenas de moradores das ruas José Bonifácio e Monte Castelo se reuniram para protestar no sábado. Eles ficaram da noite de quarta-feira, 14, até a tarde de sábado sem luz. “Perdi tudo que estava na geladeira”, relatou uma das residentes do único trecho da redondeza que ficou sem o fornecimento por parte da AES Sul. Até segunda-feira, 19, foi possível observar clientes reclamando de falta do serviço em locais pontuais nos bairros Rio Branco e Guajuviras.
Na segunda-feira, 12, a AES Sul, concessionária que atende 3 mil pessoas em 18 municípios gaúchos, informou “que os alagamentos causados pelas chuvas dos últimos dias impedem o acesso das equipes da concessionária em vários locais da área de concessão para atendimento a clientes que estão sem energia elétrica. A empresa também teve que desligar a rede elétrica em determinados por segurança, uma vez que a água está muito próxima ou mesmo encostando em equipamentos, como transformadores, medidores, postes e fios. Neste momento há 2.324 clientes com fornecimento interrompido em 25 pontos da área de concessão”. Em Canoas, 91 clientes foram afetados. No dia 14, eram 63 mil sem luz.
Paquetá

A situação na Praia do Paquetá, como de costume, era precária na última semana. O acesso pela BR-448, apelidada como Rodovia do Parque, era impossível. A equipe de O Timoneiro conversou com Paulo Denilto Ribeiro, 48 anos, presidente da associação dos moradores e pescadores da praia do Paquetá. “A gente mora num lugar de alagamento. Mas esse ano superou. Esse ano nos judiou. Esse ano não teve quem não atingiu”, lamentou informando que este foi um fenômeno atípico. “Nem os moradores mais antigos viram uma coisa dessas. 15 anos morando na prainha”, complementou.
Segundo Paulo, as enchentes são costumeiras e não significa algo ruim. “A gente tá acostumado com enchentes. A enchente é uma coisa maravilhosa. Ela traz a vida. Quando tem uma enchente traz de volta os peixes, renova. Traz transtornos, mas a enchente traz a vida. Todos os peixes estão migrando para fazer a reprodução deles. Com essa enchente imagina o que terá de peixes essa semana”, trouxe o outro ponto de vista da situação.
Ajuda Federal
O Ministério da Integração Nacional informou que disponibilizou 22,2 mil kits de ajuda humanitária para o estado. O investimento total foi de quase R$ 2 milhões: R$ 539,1 mil referentes ao material que estava estocado e R$ 1,37 milhão referentes aos outros kits de ajuda humanitária.
FGTS
O Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) informou que trabalhadores residentes nos municípios com reconhecimento federal de situação de emergência poderão sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) até o valor de R$ 6.220.
Para a liberação dos recursos, a prefeitura deve indicar as áreas afetadas à Caixa Econômica Federal. Após a indicação, trabalhadores podem se dirigir a uma agência e comprovar que moram nas áreas determinadas pela prefeitura. O saque será liberado em até 15 dias.
BM atingida

Segundo dados do Tenente Coronel Oto Eduardo Amorin, 46 Policiais militares do 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM) tiveram as casas destelhadas. Ele aproveita para reiterar que eles precisam de “1) fralda “p” e “gg”; 2) roupa masculina para criança de 5 anos; 3) telhas 5mm para as casas”. Para maiores informações, os interessados em ajudar a corporação podem procurar a sede da 4ª companhia do 15º BPM, no bairro rio branco, e a sede da 3º companhia. Ambas tiveram varias telhas quebradas. As viaturas da 4º cia do “tiveram vidros quebrados”, informo. “Agradeço as pessoas da comunidade que estão apoiando os policiais militares do 15bpm”, destacou o Tenente Coronel.
Descaso

A leitora Leticia Longhi enviou fotos de um provável descarte de doações para aqueles que perderam tudo na enchente da última semana. As fotos, enviadas por ela, são da rua Engenheiro Irineu Carvalho Braga, no bairro Mato Grande. “Me deparei com várias roupas provavelmente de doação, jogadas na rua, inclusive dentro de sacos fechados. Fiquei muito triste com o que vi, pois é um descaso com quem precisa”, relatou.
RELEMBRE:
Temporal afeta 30 mil canoenses