No final da tarde de segunda-feira, 11, aos 79 anos, faleceu Eduardo Antpack, titular do 1º Tabelionato de Canoas. O tabelião se envolveu em um acidente com danos materiais entre o seu veículo, uma Toyota Hulux e um Chevrolet Monza no quilômetro 443 da BR-386, na Tabaí-Canoas, e foi atropelado por um ônibus ao tentar atravessar a estrada para buscar o estepe.
O velório ocorreu na Capela 8, com início às 13 horas, no Cemitério Jardim Parque São Vicente, em Canoas. O sepultamento foi às 17 horas, no mesmo local. Centenas de pessoas se fizeram presentes no local para se despedir do titular do 1º Tabelionato de Notas e Protestos de Ofício de Registros Especiais de Canoas. Após a morte de Eduardo, seu filho, Rafael Antpack, assumiu a titularidade do 1º Tabelionato.
Antpack cursou engenharia operacional na Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), mas o curso que foi extinto pelo governo anos depois. Então foi estudar direito no Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter), onde, anos após, se tornou professor de direito notarial. Fez concurso, passou em primeiro lugar e foi trabalhar em Novo Hamburgo. Antes de ser servidor público de Livramento, onde conheceu o amigo de toda a vida João Arla.
A prefeita em exercício de Canoas, Beth Colombo (PP), decretou na terça-feira, 15, luto oficial de três dias em homenagem póstuma ao tabelião, que muito contribuiu com a cidade, segundo nota do gabinete do Prefeito. Antpack, natural de Arroio dos Ratos, deixa dois filhos: Rafael Antpack, Tabelião e Eduardo Antpack Filho, médico
Querido por todos

O técnico em contabilidade João Terres Tróis, 83 anos, conheceu Eduardo em meados de 1956, no bairro Niterói. Ambos atuavam na agência do Banco Agrícola Mercantil no bairro. João lembra que os pais de Antpeck, Ludwig Antpack, ligado à construção civil e Zóia Antpack, dona de casa, vieram de Estónia, um dos três países bálticos da Europa Setentrional. Destacou a concentração ao trabalho, a honestidade e a dedicação aos estudos como as características que resumiam o Tabelião. “Com ele não tinha jeitinho”, ressaltou. João lembra que Eduardo trabalhou como auxiliar no cartório de Ivo Ribeiro Vargas, em Niterói. “Quando Ivo falava nome feio, brincando com ele, ficava vermelho”.
O advogado João Arla comentou que conheceu Antpack em 1963, já em Santana do Livramento, quando era funcionário da Justiça do Trabalho, onde conquistou colegas e todos que por ele passavam pelo seu jeito simples e elegante no trato com as pessoas. Cativou a simpatia e a amizade não só dos pais de João, mas também dos funcionários do hotel dos viajantes, onde ficava quando voltava à cidade. Foi padrinho de casamento de João em 1968, posto que o amigo assumiu quando Antipack se casou. “Nesta época havia assumido o Tabelionato aqui, como tinha tirado o primeiro lugar no concurso. Um homem diferenciado”, lembra Arla. “É o irmão que eu não tive. Meu padrinho de casamento e eu sou o dele. Eu sou padrinho do filho dele, Rafael”, conclui o advogado.
João lembra que por volta de 1994, mas em outubro, Eduardo visitou Livramento, onde foi bem recebido por Seu Hermínio, do hotel dos viajantes. Aceitou ser técnico por um dia das meninas da escola normal em função de um compromisso de Arla. Eram os jogos internacionais de primavera e o advogado lembra que o amigo queria ter certeza de que as meninas venceriam os 100 metros. “Ele disse: O técnico Arla acha que vocês podem vencer. Eu quero ter certeza que vocês vão ganhar. Essa frase marcou a minha vida”, salientou.

Após o fechamento da edição, recebemos a imagem da capa do livro “Do Testamento Público: Instrumentação e Requisitos Essenciais”, de autoria de Eduardo Antpack: