Nelsinho Metalúrgico esteve presente na manifestação de apoio da Prefeitura à proposta de reformulação da repartição do bolo tributário no país. Foto: Bruno Lara/OT
Nelsinho Metalúrgico esteve presente na manifestação de apoio da Prefeitura à proposta de reformulação da repartição do bolo tributário no país. Foto: Bruno Lara/OT

Na sexta-feira, 25, juntamento com demais autoridades municipais e federais, proposto pela Famurs, esteve presento no município o deputado estadual Nelsinho Metalúrgico (PT), com o intuito de rediscutir o repasse dos impostos para os municípios. Na oportunidade, concedeu entrevista exclusiva ao repórter Bruno Lara.

Movimento do Bolo

Segundo o deputado, uma das alterações nos impostos do país é direcioná-los aqueles que possuem maios poder aquisitivo.

“Da maneira com que está organizado o sistema tributário brasileiro, ele já não dá mais conta das necessidades do país e nem da mais conta da necessidade das pessoas. Nós temos um sistema tributário que penaliza quem ganha menos e o assalariado. Precisamos debater isso e inverter. Penso que quem deve pagar impostos no Brasil é quem está no topo da pirâmide social, esse tem recursos, possibilidades, e não os pobres que, afinal, é quem pagam a maior carga tributária. (…) como as famílias pobres acabam gastando todo o seu salário em consumo de bens e serviços essenciais, são os que mais pagam impostos”.

Impostos

Para ele, apenas os ricos deveriam pagar o ICMS. Defende, também a necessidade de discutir um rearranjo nacional da carga tributária.

“Os impostos não são só federais. São impostos estaduais também, por exemplo, o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que é um imposto estadual. Nós devemos discutir também a aplicação do ICMS nessa construção lógica de quem deve pagar é quem ta no topo da pirâmide social e não a maioria do povo. Mas isso, obviamente, tem que estar casado com a discussão do rearranjo nacional da carga tributária. Eu concordo que nenhum governador, nenhum prefeito pode tomar uma ação isolada, porque tem um impacto na manutenção dos serviços”

Crise

Nelsinho acredita que a aprovação do ICMS na Assembléia Legislativa (AL) foi “fazer mais do mesmo”.

“De fato, o estado do Rio Grande do Sul tem dificuldades de se financiar. A gente tem consciência disso e não é de agora. Isso vem já de 40 anos. Não foi inventada por nenhum governador especificamente. É uma soma de discrepâncias entre a receita e o orçamento. O fato de nós sermos muito dependentes da pecuária, da agricultura, então nós tivemos anos terríveis de redução nos nossos impostos por conta da seca, da estiagem. Isso, ao longo dos anos, agravou muito a nossa situação. E fizemos um acordo de pagamento da dívida pública, em 1997, que foi extremamente prejudicial no Rio Grande do Sul, que hoje estrangula a nossa economia. Então, sabemos disso. Temos que discutir como financiar o estado nessas condições. Isso passa, também, por debater como é a carga tributária do estado. Nós, na Assembléia, votamos agora na terça-feira, foi aprovado o aumento do ICMS. Nós achamos que nós acabamos produzindo mais do mesmo, isto é, jogando a conta para o povo pobre pagar e o nosso pensamento é que a tributação deveria se dar no topo”.

E se posicionou contra o aumento, que deveria, segundo ele,  ser apenas para quem tem mais dinheiro

“Da maneira de que foi apresentado, que penaliza o assalariado, quem é pobre, nós votamos contra. Achamos que o ICMS poderia ser seletivo e atingir a compra de veículos de luxo, produtos supérfluos, iates, barcos, esse tipo de mercadoria, wiskes.

Postura de Jairo Jorge

Tentando responder em nome do Prefeito, o parlamentar afirmou que a postura é a mesma.

“O Prefeito Jairo se posicionou pela discussão de uma matriz tributária que possibilitasse dar sustentação para as finanças do estado, mas nessa lógica, também, de uma matriz que protegesse determinados setores da nossa economia. Isso não está no projeto do Sartori. Por isso, nós votamos contra. Mas o prefeito Jairo é a favor que se discuta sim uma forma de financiamento do estado sem prejudicar a imensa maioria dos gaúchos.