Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Lembranças da infância 

Quando novembro chega ao fim e dezembro tem seu início, as lembranças da infância começam a aflorar na nossa mente e tudo que nos remete aos tempos da infância, por mais simples e modesto que seja, me traz boas lembranças. São períodos que se repetiram durante muitos anos da nossa infância e estão guardados num cantinho da nossa memória. Tente encontrá-los e veja que nesses tempos de afastamento social e familiar, quando muitos passarão Natal e Ano Novo isolados por conta da pandemia ou outro mal, recordar os bons tempos da infância não há nada melhor.

Como faço todos os anos, no mês de dezembro recordo meus tempos de infância e todos os dias dou uma repassada só para ver se sobrou um pouquinho esquecido lá num cantinho da memória.  O que lembro por primeiro são as panelas de doces de figos e pêssegos que a nossa mãe fazia para as festas de Natal, Ano Novo e Santos Reis – doces que sinto seu aroma até os dias de hoje. Lembro também que nas vendas (armazéns) do interior era costume ter um ou dois bancos de madeira bem grandes para os fregueses sentarem. 

Na venda do tio Betinho, lá no Capão Alto, não era diferente. Lá também havia um banco que até ainda lembro as medidas – feito de uma tabua de pinho com 30 cm de largura, por uma polegada de espessura e 5,40 m de comprimento. Era um banco que acomodava um time de futebol de guris. Nas tardinhas até o anoitecer de verão era costume a gurizada se reunir na venda do tio Betinho para ouvir os mais velhos contarem histórias de Papai Noel.

Quando começava a escurecer, para apressar a hora da gurizada pegar o rumo das suas casas e o tio Betinho poder fechar venda, os contadores das histórias de Papai Noel bonzinho passavam para histórias de terror. Isso fazia com que os medrosos fossem se retirando e logo a venda estava vazia.  

E assim vou ficando por aqui, porque deste ano não dá para levar quase nada, tudo virou histórias de terror.

FELIZ NATAL!