A crise na Segurança Pública já não é novidade para a população. Nem mesmo o é quando se trata de Canoas, onde as delegacias, principalmente a DPPA, sofrem com superlotação de presos. A situação tem gerado apreensão entre a comunidade.
Santana
“Aquilo ali está uma panela de pressão. Pode estourar a qualquer momento se continuar do jeito que está”, afirma o vereador Sargento Santana (PTB). Para ele, há um risco iminente de tentativas de fugas no local, já que há presos perigosos sob custódia. “Pode acontecer algo muito grave, já que a delegacia não foi projetada para isso”, complementa. O vereador também ressalta que a situação se deve à falta de investimento na área. Segundo Santana, em 20 anos, a Segurança Pública foi o setor que menos recebeu recursos. “A Segurança está obsoleta por conta disso. Deveríamos ter em torno de 40 mil agentes de segurança no Rio Grande do Sul, mas temos 10 mil atuando nas ruas neste momento. É um descaso”, conclui o parlamentar.
Juares
O vereador Juares Hoy (PTB) detalha um ponto específico no problema enfrentado pela Segurança Pública na cidade: “Canoas atende, com o dinheiro daqui, Esteio, Sapucaia, Nova Santa Rita, Eldorado e Guaíba, sem a mínima participação desses municípios com recursos”. Ainda, de acordo com Juares, diariamente, a partir das 18 horas, quem precisa registrar alguma ocorrência enfrenta filas por que a central fica lotada de presos e não há policiais pra atender a população. “É um prejuízo para o povo canoense. É inadmissível que os policiais civis se tornem carcereiros diante da superlotação das delegacias”, afirma Hoy. O vereador afirma que existe risco iminente de uma morte, além de uma “chance enorme de que ocorra uma catástrofe.” De acordo com Juares, os prédios estão sendo sucateados com essa situação: “Não podemos mais admitir esse verdadeiro caos. Canoas é um terço de Porto Alegre e não tem um décimo da estrutura policial que eles têm lá”.
Delegado
A reportagem também entrou em contato com o titular da 2ª Delegacia de Polícia Regional de Canoas, delegado de polícia Cristiano Fiolic Alvarez. Para ele, o problema também passa pelo atendimento às cidades vizinhas, que acabam aumentando consideravelmente a demanda de funcionários em Canoas. Além disso, Cristiano aponta a falta de vagas em penitenciárias: “Hoje temos acompanhado uma grande crise no sistema prisional, com falta de vagas. Por isso estes presos têm ficado nas delegacias, situação que não é correta. Os presos, que deveriam ficar no mínimo 24 horas, estão ficando semanas e até meses nas delegacias”. De acordo com o profissional, a situação faz com que policiais que poderiam desempenhar outras funções, auxiliando em investigações, acabem encarregados pela custódia dos presos. “O risco sempre há, por que é um local que não é apropriado pra isso. Tentamos fazer o máximo para minimizar todos os riscos e foram feitas mudanças estruturais e comportamentais para garantir a segurança de todos que frequentam o local”, finaliza Cristiano.