O ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PDT), citado em delação de executivos da Odebrecht, voltou a ganhar manchetes devido à nova ação da justiça. Na última semana, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito com base nas delações reveladas em abril.
Caso
Na delação, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, relata o “pagamento de vantagens indevidas, não contabilizadas e a pretexto de doação oficial, em favor de Jairo Jorge da Silva, ex-prefeito Municipal de Canoas/RS”. Segundo Alexandrino, os repasses seriam motivados por pretendido favorecimento em obra rodoviária. O caso do ex-prefeito canoense, que não tem foro privilegiado, está com a PGR local.
À Polícia Federal (PF), o ex-executivo da Odebrecht informou que conheceu Jairo Jorge em 2004, através do então ministro da Educação, Tarso Genro. Na época, Jairo trabalhava no Ministério e era apontado por Tarso, segundo Alexandrino, como um “quadro de crescimento” no partido.
Caixa 2
Alexandrino ainda afirma que a Odebrecht participou das duas campanhas de Jairo Jorge para prefeito de Canoas: “Em ambas as campanhas nós participamos com doações legais e via caixa 2. Que eu me recorde, na de 2008 nós doamos 50 mil reais via caixa 2, e na de 2012, se não me falha a memória, nós doamos 400 mil reais acima do padrão de Prefeitura”. Tais contribuições, segundo o delator, eram motivadas pela liderança política de Jairo Jorge na região e pela colaboração do político com a empresa, “ele sempre nos apoiou em trabalhos na região”, completa Alexandrino.
O que diz Jairo Jorge
Em nota divulgada em sua Facebook, Jairo Jorge afirma: “Há um ano, aguardo a oportunidade para esclarecer os fatos que envolvem meu nome e a prestação de contas de minha campanha, o que efetivamente acontecerá agora. Lembremos que, até 2014, as contribuições empresariais eram legais e permitidas. Não podemos transformar em ilegal o que é legal. Em 2008 e 2012, minha campanha a prefeito de Canoas recebeu recursos de dezenas de apoiadores, como Gerdau, Grupo Zaffari, Odebrecht e outras. Todas foram contribuições legais, que vieram pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Constam na Prestação de Contas das duas campanhas, aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral. Lembro, ainda, que das 835 obras realizadas em Canoas durante minha gestão, nenhuma foi executada pela Odebrecht. Acredito na Justiça e nas instituições, e estou tranquilo por, finalmente, ter a oportunidade de esclarecer todos os fatos.”