A cada semana uma pessoa segue a história do ponto onde a anterior parou. Os autores não têm controle sobre os próximos capítulos e o que será feito a partir do gancho que deixam ao final de cada um.

Capítulo 13 (Continuação):
por Simone Dutra

Assim como para quase todo ser civilizado e acometido pelas doenças que o tempo traz acompanhado das rugas, para os homens ali presentes, na contagem de alguns bons anos de existência e frustração, nada mais era tão assustador e inesperado quanto a própria vida. Pai e filho (assassinos e/ou doentes?) nem olharam para a porta à sua esquerda. Eles sabiam que algo estava por se encerrar.

Antônio abriu para os policiais que estavam à procura de Lucas. O detetive responsável havia seguido ele durante toda a semana e estranhara os encontros entre ele e o vizinho. Não sabiam exatamente o que havia acontecido com Julia, não podiam precisar o que aquilo significava exatamente, mas havia uma certeza de que a resposta estava naquela sala de móveis velhos e mal cheirosos.

– Mãe, eu amo você! Julia, me desculpe por tudo… Don, chegou nosso momento. Disse Lucas olhando para o amigo imaginário.
– Temos um mandado de prisão para o senhor, pela morte de sua esposa. Os detalhes esclareceremos na delegacia. Disse o homem mais alto, de cabelos grisalhos, estranhando aquele comportamento pueril – também lhe vinha à mente a filha adolescente vítima de um assalto na noite anterior; estava exausto, devia se aposentar, precisava de um café.

Lucas mirava o nada. Caminhou por cima dos cacos de vidro espalhados ao chão com neutralidade, não reagindo à prisão. O silêncio daquela ação tornava tudo ainda mais abstruso e pintava aquela linha tênue entre realidade e ilusão, mas não, aquilo não era um sonho ou pesadelo, definitivamente. Apenas mais um caso comum das crises familiares e dos distúrbios da razão humana e de ordem que requerem exercício de uma justiça falha, que deveria garantir a segurança dos indivíduos. O desfecho das coisas é um resumo simples e racional de que nada é justo, sadio e indefectível.

Impedindo que Lucas fosse algemado, o velho que outrora aparecia solitário, vazio e de hábitos inócuos, dá um passo à frente e declara:
– Não… Eu sou o responsável por tudo. Eu matei a esposa deste homem. E eu matei a mãe dele também.