O governo gaúcho publicou nesta quinta-feira ,23, a quarta edição do Boletim Semanal da Receita Estadual sobre os impactos da Covid-19 nas movimentações econômicas dos contribuintes de ICMS do Estado. A publicação apresenta uma análise dos efeitos da crise por região e indicadores de variação das vendas no período entre 16 de março e 17 de abril.

A avaliação por região é feita considerando a evolução do total de vendas a varejo no âmbito dos 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Corede) existentes no Rio Grande do Sul. A análise mostra que o patamar individual das quedas está associado ao nível de participação de cada unidade na produção industrial do Estado, tanto que as maiores reduções estão concentradas nos Coredes próximos da região metropolitana e da Serra.

Apesar das perdas ainda bastante significativas, uma retomada gradual já pode ser visualizada. O desempenho acumulado de curto prazo teve o pior registro no dia 6 de abril, queda de 29%, mas atingiu um número menor no dia 17 de abril, retração de 25%. “O fato do indicador de curto prazo estar melhor que o indicador de médio prazo demonstra um cenário de redução do nível das quedas”, considera Neves. O comportamento de reação da atividade econômica foi observado em todas as unidades regionais, com exceção do Corede Sul, composto por municípios como Pelotas e Rio Grande, que apresenta redução de 27% tanto no curto como no médio prazo.

Consumo de combustíveis

As vendas de combustíveis no RS também estão melhorando o desempenho nas duas últimas semanas. No acumulado do período (16 de março a 17 de abril), o combustível com maior queda no volume de vendas segue sendo o etanol (-57,7%), seguido pela gasolina comum (-27,3%) e pelo óleo diesel S-500 (-19,2%). O óleo diesel S-10, por sua vez, apresenta avanço acumulado de 8%.
Em relação ao preço médio, os quatro combustíveis analisados têm apresentado movimento de queda no período recente, reflexo da atual conjuntura internacional acerca do petróleo. A gasolina comum, por exemplo, chegou a atingir R$ 4,79 no final de janeiro, estava em R$ 4,62 no dia 16 de março e passou ao patamar de R$ 4,07 no dia 17 de abril, última data de análise do Boletim.

Vendas a varejo

No acumulado, o impacto da Covid-19 é positivo para as vendas a consumidor final de medicamentos e materiais hospitalares (+11,4%) e produtos de higiene e alimentos (+2,8%). Para os demais produtos, entretanto, a queda continua brusca, totalizando redução de 45,6% no período. Somando as três categorias, a redução média chega a 24,1%.
No top 10 das mercadorias com maiores variações positivas do valor das vendas, ganham destaque produtos do setor de alimentos (como cereais, óleos, leite, carnes, frutas, hortícolas e peixes), da indústria química (como sabão para lavar roupa e álcool em gel) e do setor farmacêutico.
Nas maiores variações negativas do valor das vendas constam itens relacionados a vestuário, com as maiores quedas percentuais (na ordem de 80%), e veículos, com as maiores quedas em valores. Também aparecem máquinas e aparelhos elétricos, móveis, calçados e bebidas alcoólicas.

Visão por setores de atividade

Na última semana (11 a 17 de abril), a exemplo do que ocorrera nas três semanas anteriores, houve queda nos níveis de atividade da Indústria (-17%), do Atacado (-22%) e do Varejo (-28%). Essas reduções são significativas especialmente para o setor atacadista, que apresentou o pior resultado semanal desde o início da crise da Covid-19.
Visão por setores industriais
No acumulado, os setores da área de alimentação (arroz, aves e ovos, bovinos, leite, suínos e trigo) e de produtos de limpeza mantêm desempenho positivo. Os demais setores ainda apresentam reduções expressivas no nível de atividade, situando-se, em média, no patamar de 36%, pouco abaixo do observado até a semana anterior (-39%). As maiores quedas ocorrem nos setores Coureiro-Calçadista, Móveis, Têxteis e Confecção, Metalurgia e Veículos.

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