
A disseminação da Covid-19 e sua letalidade comprovada em números, especialmente em outros países, não é a única preocupação dividida por todos. Com o fechamento do comércio e a interrupção de alguns serviços por tempo indeterminado para a contenção do contágio, a possibilidade de um colapso na economia preocupa. Mesmo sem fluxo de caixa, as responsabilidades trabalhistas e comerciais persistem. Mesmo diante este cenário, empresários dividem opiniões sobre a abertura do comércio na cidade.
“Preciso abrir a loja para sobreviver”
A reportagem conversou com diversos lojistas que expressaram o descontentamento com a orientação estadual, que é não abrir o comércio. Em diversos pontos da cidade é possível ver lojas que não se enquadram no que é serviço essencial em pleno funcionamento. Uma amostra de que isso ocorre com frequência é o número de denúncias que a Guarda Municipal contabiliza. Até o dia 22 de abril foram realizadas 638 denúncias e 637 vistorias o que corresponde a 99,8%.
A dona de uma loja de roupas, numa rua movimentada da cidade, disse que parou de trabalhar por alguns dias, mas a necessidade “bateu na porta” e teve que reabrir a loja. “Faz dois dias que estamos abertos e vendi R$ 30,00 reais. Preciso sobreviver e tenho despesa de aluguel, mercadorias paradas e temos que sustentar a casa”, expressou a lojista.
Após 30 dias sem vender nenhum centavo, e ficar com a loja fechada, o proprietário de uma loja de calçados diz que teve que inovar o atendimento e atender os clientes na porta da loja, por estar muito afetado pela pandemia. “Tenho seis funcionários, mercadorias chegando, contas para pagar, aluguel da sala para pagar, condomínio e a obrigação de sustentar minha família. Ficamos desde o dia 21 fechados, acho que foi necessário, só que esticar isso afeta outras coisas. Estamos precisando muito e acredito que temos como se cuidar e temos como abrir as lojas”.
Medo e insegurança de trabalhar
Mesmo com entidades que representam o comércio pedindo a abertura imediatamente das lojas no município, diversos empresários são cautelosos mesmo que isso influencie nas finanças do seu negócio. Senhor Omar, morador do bairro Guajuviras e proprietário de uma carrocinha de cachorro-quente, se diz com medo e inseguro para trabalhar. “Está difícil pra mim, sou autônomo, tenho que sustentar meus filhos, mas consigo me virar por enquanto sem trabalhar. Poderia estar trabalhando, mas sei o risco que iria trazer para dentro de casa e poderia ser muito pior do que está”.
A dona de um mercado na cidade descreve do que se trata o medo. Com duas filhas e uma mãe de 70 anos, ela descreve a tensão que é estar em exposição.
“Tomamos as medidas preventivas exigidas no decreto. Cada funcionário recebeu um kit higiene, com máscara, luva e álcool em gel. A entrada na loja também tem restrição, o cliente precisa higienizar as mãos e com no máximo 20 clientes na loja”, conta a dona de um supermercado.