
Jorge Uequed
Poeta e profeta
As qualidades literárias do mineiro Carlos Drummond de Andrade são por todos reconhecidas. Mas, a capacidade de “quase profecia” é uma nova descoberta. No ano de 1984, o poeta escreveu:
Lira itabirana
I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
(Carlos Drummond de Andrade)
Lamentavelmente, a precisão era verdadeira e as autoridades brasileiras se mostraram mais uma vez incompetentes, as atuais e as anteriores, e os brasileiros à mercê da ganância de empresários inescrupulosos que só têm no lucro o seu interesse no Brasil. Todos os governos prometem ação e austeridades, mas todos ficaram só na conversa fiada.
Gracinha
A longa crise do Gracinha e o padecimento da sociedade está causando um trauma violento em Canoas. A dívida cresce, a incompetência gerencial mais ainda, e a insensibilidade para com a saúde pública assusta.
Agora, na busca de um gestor para o hospital, parcela ponderável dos responsáveis tentaram uma negociação com o hospital Divina Providência, da capital, inclusive, com a colaboração e participação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers RS).
O Ministério Público, associados da Associação Beneficente de Canoas (ABC); mantenedora do hospital; vereadores, prefeito, todos buscando uma alternativa para a gestão. Quando tudo parecia certo, Prefeitura dando contribuição mensal de R$ 1 milhão e 300 mil reais, a direção do Divina já com uma proposta, Simers tentando colaborar… aí apareceu mais um entrave: a direção do Gracinha começou a colocar pedras no caminho para evitar a “perda no comando”.
Um dos dirigentes chegou a anunciar esta semana: “se os anestesistas fizerem greve, nós vamos encerrar as atividades do hospital”, ou seja, criando problema para qualquer negociação, eis que os anestesistas há meses não recebem e não tem nenhuma negociação ou proposta pela atual gestão.
O que a gente nota é que a atual gestão cansou, perdeu forças, não tem saída, e não encontra apoiadores para sair da crise, e rejeita qualquer proposta de entregar a direção e a gestão para que outros, talvez com melhor visão e posição, possam propor alternativas.
A frase que parece estar em jogo é: se o Gracinha morrer, nossa direção morre junto.
É bom saber que o Gracinha não é de ninguém, que não vai morrer, apenas vai trocar de direção e buscar novos apoiadores, pois, se ele morrer, a cidade pisoteia em cima dos dirigentes.
Começam a surgir movimentos de protestos e de pedidos da retirada dos atuais responsáveis.