
A crise nos hospitais de Canoas se agravou na semana passada, com o fechamento da emergência SUS do Hospital Nossa Senhora das Graças. Nos dias seguintes, o Hospital de Pronto Socorro de Canoas já tradicionalmente muito procurado por canoenses e moradores de toda a Região Metropolitana entrou em colapso por superlotação. Imagens de pacientes deitados no chão do HPSC se espalharam pela internet, revelando a gravidade da situação, que só teve alguma melhora desde a quarta-feira, 22, quando o atendimento na emergência do HNSG foi restabelecido.
Em nota, o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), responsável pela gestão do HPSC, informou que a paralisação do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) ocasionou uma superlotação no Pronto Socorro, que já vinha operando acima da sua capacidade havia muitos dias. De acordo com o Gamp, os 123 leitos disponíveis chegaram a estar ocupados por 154 pessoas, o que representa um número de 180% de lotação. O grupo afirmou ainda que esta foi uma situação atípica e de exceção, já que o atendimento prestado pelo hospital prima pelos cuidados redobrados à população.
Desde o fechamento do Graças, uma das medidas adotadas pela administração do Gamp foi a de levar cadeiras do Hospital Universitário para ajudar no atendimento às pessoas devido ao aumento expressivo do número de pacientes. Além disso, ainda de acordo com o Grupo, houve a transferência de alguns pacientes para hospitais de Porto Alegre, quando a situação permitia, e foi solicitado que novos casos não fossem encaminhados ao HPSC, assim como foi protocolado ofício junto à Secretaria da Saúde, informando a situação crítica registrada no hospital. “No entanto, mesmo assim, a unidade continuou recebendo pacientes de Canoas e também de municípios vizinhos, o que fez com que, em algumas situações, os pacientes não pudessem ser atendidos nas condições ideais e que o HPSC sempre ofereceu a todos”, afirmou o Gamp.
Comissão na Câmara
A Comissão de Saúde da Câmara, presidida pelo vereador Aloisio Bamberg (PCdoB), esteve reunida, na tarde de terça-feira, 21, para fazer uma avaliação da situação do Hospital Nossa Senhora das Graças, que está recebendo na Emergência SUS. Os vereadores pretendem agendar, com urgência, reunião com o prefeito Luiz Carlos Busato para tratar do caso.
Há mais de dois meses, um grupo de parlamentares vem monitorando o atendimento no Hospital Nossa Senhora das Graças, por meio de uma comissão especial. Além de representantes do Legislativo, participam integrantes da direção da ABC e do hospital, médicos, funcionários, Conselho Municipal de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. Semanalmente, ocorrem reuniões para tratar de problemas como a falta de medicamentos e atraso de cirurgias.
Antes de definir as próximas ações, a Comissão de Saúde aguarda o resultado de reunião marcada para sexta-feira, 24, quando a direção do Graças irá apresentar um diagnóstico financeiro, acompanhado de conjunto de ações a serem adotadas para readequação do funcionamento da instituição. O documento foi elaborado após uma auditoria realizada a pedido dos vereadores. As medidas devem abranger cortes de gastos, remanejo de pessoal e ações de controle interno.