
A polêmica entre táxi e Uber já tem dimensões globais. Com a situação chegando aos municípios brasileiros, algumas cidades lançaram iniciativas de regularização do serviço por aplicativo. Em Canoas, a situação ainda segue indefinida. A reportagem do jornal Timoneiro conversou com alguns motoristas, dos dois serviços, para saber o que eles pensam sobre isso.
Táxi
Maidon Melo Nunes, 33 anos, afirma que a profissão passa por dias difíceis. Segundo ele, que trabalha há oito anos no ramo, o serviço teve um declínio de mais de 50% no faturamento. “Quem pega táxi mesmo é quem não usa aplicativo”, afirma Maidon. Ele ainda critica a diferença de burocracia entre os serviços: “De nós cobram um monte de coisa. Um monte de papelada. Pra eles o cadastro é simples. Eu pago imposto e, de ano em ano, tenho que renovar a carteira específica de taxista. De quatro em quatro meses tem vistoria do carro”. Paulo Cesar, também motorista de táxi, afirma que “deveria ter um jeito mais justo pros dois lados”. Sobre regularização, Paulo afirma que não ocorreu nada, por enquanto: “aqui continua a mesma coisa. Não foi regularizado nada. Nos chateia um pouco. Não vejo atuação do governo. Preferem deixar rolar do que tomar uma atitude”.
Uber
Edrei, motorista de Uber, afirma que nunca teve problemas devido à inimizade entre Uber e táxi. Ele conta que vive apenas do serviço por aplicativo, e que se sente tranquilo com relação à situação, tendo um salário relativamente estável a cada mês. Mesmo com o crescente domínio do serviço, ele também ressalta que as tarifas praticadas pela empresa poderiam valorizar mais os funcionários.
Prefeito
A atual gestão municipal não quis se manifestar sobre a questão de transportes via aplicativos. Em dezembro de 2016, poucos dias antes de assumir a Prefeitura, Luiz Carlos Busato conversou com a reportagem do jornal Timoneiro e falou sobre o assunto: “É uma tecnologia que veio e que teremos que nos adaptar. O táxi vai ter que mudar. Talvez tenhamos que ter um pouco mais de ingerência do governo no Uber e um pouco menos de ingerência no táxi, para que se chegue a um ponto de equilíbrio”, explicou.